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Legislação

Acessibilidade e risco jurídico: o que as empresas precisam saber

Nos últimos anos, empresas brasileiras de diversos portes começaram a receber notificações extrajudiciais e, em alguns casos, ações judiciais relacionadas à falta de acessibilidade em seus sites. É um movimento que já é bem consolidado nos Estados Unidos, com milhares de processos anuais com base no ADA (Americans with Disabilities Act), e que vem ganhando força também no Brasil.

De onde vem esse tipo de exposição

No Brasil, a base costuma ser a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), que trata do direito de acesso à informação e à comunicação para pessoas com deficiência, combinada com princípios gerais de defesa do consumidor e de não discriminação. Diferente dos Estados Unidos, não existe uma lei única e detalhada que liste exatamente quais critérios técnicos um site precisa cumprir para evitar processos — o que, paradoxalmente, cria mais incerteza para as empresas, porque a avaliação depende de interpretação caso a caso.

Órgãos de defesa do consumidor, Ministério Público e associações de pessoas com deficiência têm sido os agentes mais ativos nesse tipo de notificação, geralmente citando barreiras concretas identificadas no site — falta de texto alternativo, impossibilidade de navegação por teclado, contraste insuficiente — como evidência de descumprimento de princípios de acessibilidade.

Por que ignorar o tema é uma aposta arriscada

Mesmo para empresas que nunca foram notificadas, o risco tende a crescer, não diminuir, à medida que o tema ganha visibilidade e que mais escritórios de advocacia se especializam nesse tipo de ação. Além do risco jurídico direto, há o risco reputacional: notificações e processos desse tipo costumam vir acompanhados de exposição pública, o que pode gerar desgaste de imagem independentemente do resultado final do processo.

Há também um efeito cumulativo: corrigir barreiras de acessibilidade depois de uma notificação formal costuma ser mais caro e mais urgente do que corrigir de forma planejada, porque a empresa perde a capacidade de priorizar os ajustes com calma.

Como empresas costumam reduzir essa exposição

Documentar esforços de adequação é um fator relevante: empresas que conseguem demonstrar que adotaram medidas concretas — ajustes estruturais no código, ferramentas de acessibilidade, políticas internas de revisão de conteúdo — tendem a estar em posição mais favorável do que empresas que nunca trataram o tema. Isso não elimina o risco, mas reduz a percepção de negligência, que costuma ser o ponto central discutido nesse tipo de disputa.

Vale reforçar que não existe solução única que "resolve" acessibilidade de uma vez por todas — o ideal é combinar boas práticas estruturais no desenvolvimento do site com recursos que deem ao visitante controle sobre a própria experiência, tratando o tema como parte contínua da manutenção do site, não como um projeto pontual.

O que costuma acontecer quando uma notificação chega

Na prática, o processo costuma começar com uma notificação extrajudicial detalhando as barreiras encontradas no site, dando um prazo para resposta ou adequação antes de qualquer medida judicial. Empresas que já têm algum histórico de atenção ao tema — mesmo que incompleto — normalmente respondem com um plano de correção, o que costuma reduzir a chance de o caso avançar para uma disputa mais longa. Empresas que nunca trataram o assunto tendem a ser pegas de surpresa, sem processo interno definido para responder, o que aumenta o tempo e o custo de qualquer resolução, seja ela extrajudicial ou não.

Ter, desde já, uma pessoa ou equipe responsável por acompanhar esse tema — ainda que de forma simples — costuma fazer diferença relevante caso esse tipo de notificação chegue.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma auditoria técnica de acessibilidade feita por um especialista. Este texto também não constitui aconselhamento jurídico; para avaliar riscos específicos do seu negócio, consulte um profissional do direito.

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