A maioria dos problemas de acessibilidade em sites não vem de má intenção — vem de detalhes que passam despercebidos porque quem constrói o site normalmente não usa leitor de tela, não navega só por teclado e não tem baixa visão. Listamos abaixo os erros que aparecem com mais frequência.
1. Contraste insuficiente entre texto e fundo
Cinza claro sobre branco, ou texto branco sobre imagens claras, são os casos mais comuns. A WCAG recomenda no mínimo 4.5:1 para texto normal — abaixo disso, boa parte de quem tem baixa visão simplesmente não consegue ler.
2. Imagens sem texto alternativo
Sem o atributo alt, um leitor de tela lê apenas o nome do arquivo da imagem ou anuncia "imagem" sem contexto nenhum, deixando quem depende desse recurso sem informação sobre o conteúdo visual.
3. Sites que não funcionam por teclado
Menus que só abrem com clique de mouse, modais sem forma de fechar via teclado e foco que "desaparece" ao navegar por Tab tornam o site inutilizável para quem não usa mouse — seja por deficiência motora, seja por depender de leitor de tela.
4. Textos de link genéricos
"Clique aqui" e "saiba mais" repetidos várias vezes na mesma página são inúteis para quem usa leitor de tela e navega listando todos os links da página de uma vez — sem contexto, é impossível saber para onde cada um leva.
5. Formulários sem rótulos associados corretamente
Quando o rótulo de um campo (nome, e-mail, telefone) não está tecnicamente associado ao campo via HTML, o leitor de tela anuncia apenas "campo de edição", sem dizer o que deve ser preenchido ali — um problema comum em formulários construídos rapidamente sem atenção à marcação semântica.
6. Depender só de cor para transmitir informação
Usar vermelho para erro e verde para sucesso, sem nenhum ícone, texto ou outro indicador além da cor, quebra completamente para quem tem daltonismo — uma condição que afeta uma parcela significativa dos homens.
7. Animações e conteúdo em movimento sem controle
Carrosséis automáticos, banners piscando e vídeos com autoplay podem causar desconforto real para pessoas com sensibilidade a movimento ou distúrbios vestibulares, e em casos extremos — luzes piscando rapidamente — representam risco para pessoas com epilepsia fotossensível. A ausência de um botão simples para pausar essas animações é um erro recorrente.
Nenhum desses erros exige uma reconstrução completa do site para ser corrigido — a maioria envolve ajustes pontuais e bem localizados. O primeiro passo costuma ser simplesmente saber que eles existem, já que a maior parte passa despercebida em testes visuais tradicionais.
Por que esses erros se acumulam com o tempo
Vale entender por que esses problemas se repetem tanto: a maioria surge não de um erro único, mas de decisões tomadas ao longo do tempo por pessoas diferentes, sem um processo de revisão específico para acessibilidade. Um desenvolvedor adiciona um botão sem rótulo em uma correção rápida, um redator escreve "clique aqui" porque parece natural, um designer escolhe um cinza claro porque combina esteticamente com a paleta — nenhuma dessas decisões, isoladamente, parece grave, mas juntas formam um site cheio de pequenas barreiras.
Por isso, incluir uma checagem básica de acessibilidade no processo normal de revisão de conteúdo e de código — e não só em um projeto pontual de auditoria — costuma prevenir boa parte desses erros antes que eles cheguem ao site publicado.
Uma checklist curta, revisada antes de publicar qualquer página nova, já ajuda bastante: contraste do texto principal e dos botões, texto alternativo nas imagens, navegação completa por teclado e rótulos claros em cada campo de formulário.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma auditoria técnica de acessibilidade feita por um especialista.
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