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Estratégia

Como testar a acessibilidade do seu site na prática

Antes de investir em uma auditoria profissional completa, é possível ter uma primeira noção bem concreta dos problemas de acessibilidade de um site usando ferramentas gratuitas e alguns testes manuais simples. Nenhum desses métodos substitui uma avaliação especializada, mas juntos revelam boa parte dos problemas mais comuns.

Ferramentas automáticas gratuitas

O Lighthouse, embutido no Google Chrome (aba "Lighthouse" nas ferramentas de desenvolvedor), gera um relatório de acessibilidade com nota de 0 a 100 e lista problemas específicos, como contraste insuficiente ou imagens sem texto alternativo. O WAVE, da WebAIM, é uma extensão de navegador que sobrepõe ícones diretamente na página indicando erros e alertas de acessibilidade, o que ajuda a visualizar exatamente onde cada problema está. O axe DevTools, da Deque, é outra opção bastante usada por desenvolvedores, com relatórios técnicos detalhados.

Vale um alerta importante: ferramentas automáticas detectam, segundo estimativas da própria comunidade de acessibilidade, entre 30% e 50% dos problemas totais de um site. Critérios mais subjetivos — como se um texto alternativo realmente descreve bem uma imagem, ou se a ordem de navegação por teclado faz sentido lógico — exigem avaliação humana.

Teste manual de navegação por teclado

Sem usar o mouse, tente navegar pelo site inteiro só com Tab, Shift+Tab e Enter: é possível abrir o menu principal? Preencher um formulário de contato? Fechar um pop-up ou modal? Em algum momento o foco (geralmente indicado por um contorno ao redor do elemento) desaparece ou fica preso em um lugar só? Esse teste, apesar de simples, revela problemas que ferramentas automáticas geralmente não detectam sozinhas.

Teste de contraste com ferramenta de cores

Para checar se as cores do site atingem o contraste mínimo, o WebAIM Contrast Checker permite inserir os códigos hexadecimais de duas cores e ver imediatamente a proporção calculada, junto com a indicação de conformidade nos níveis AA e AAA da WCAG. Vale checar não só o texto principal, mas também botões, links e mensagens de erro.

Teste rápido com leitor de tela

Ativar o VoiceOver (em Mac ou iPhone, nas configurações de acessibilidade) ou o NVDA (gratuito, para Windows) por alguns minutos e tentar navegar pelo próprio site já revela bastante — mesmo sem experiência prévia com leitores de tela, é possível perceber rapidamente quando algo é anunciado de forma confusa, incompleta ou sem sentido nenhum.

Combinar essas quatro abordagens — ferramenta automática, teclado, contraste e leitor de tela — dá um retrato bem mais completo do que qualquer uma isoladamente, e é um ponto de partida sólido antes de decidir se vale a pena uma auditoria profissional mais aprofundada.

Organizando o que foi encontrado

Depois de rodar esses testes, vale organizar os problemas encontrados por prioridade, não só por ordem de descoberta. Barreiras que impedem completamente uma tarefa essencial — como não conseguir finalizar uma compra ou enviar um formulário de contato via teclado — merecem atenção antes de ajustes mais cosméticos, como um contraste levemente abaixo do ideal em um texto secundário. Uma planilha simples, com a página, o problema encontrado, o critério da WCAG relacionado e o nível de prioridade, já é suficiente para começar a tratar os pontos de forma organizada, sem depender de uma ferramenta cara de gestão.

Reavaliar periodicamente também importa: novas páginas, novos formulários e novas seções do site podem introduzir problemas que não existiam na última checagem, então tratar acessibilidade como um teste único e definitivo tende a deixar o site desatualizado nesse quesito com o tempo.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma auditoria técnica de acessibilidade feita por um especialista.

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